A Praça da Alfândega vai ser fechada, a partir dos próximos dias, por um motivo bastante especial: é que o Programa Monumenta começou a executar o serviço de restauração no espaço histórico do Centro, o qual foi caminho para o desenvolvimento de Porto Alegre, perto do final do século XVIII. Naquele tempo, a Alfândega registrava a chegada das pessoas e mercadorias, que aportavam no cais do Guaíba e faziam prosperar a recém nomeada Capital do Estado. A obra, que vai custar R$ 2,9 milhões, deverá ficar pronta até novembro para acolher a Feira do Livro, numa atmosfera ainda mais nostálgica e romântica que a habitual.
Conforme a arquiteta Briane Bicca, coordenadora do Monumenta em Porto Alegre, a ideia do projeto é resgatar uma aparência mais próxima da original, preservando as mudanças ocorridas ao longo da história. Ela se refere a patrimônios da cultura gaúcha e peças de arte como a fonte sob o monumento equestre do General Osorio - instalada em 1935 para celebrar o centenário da Revolução Farroupilha - e também a menos antiga escultura do bate-papo entre os poetas Mario Quintana e Carlos Drummond de Andrade, de Chico Stockinger, artista plástico nascido na Áustria, que trilhou em Porto Alegre sua vida criativa até o ano passado, quando morreu, aos 89 anos.
Na última semana, quem circulou pelo local já assistiu ao avanço do trabalho. "Estão sendo colocadas as estacas que vão sustentar os tapumes da obra", explica a arquiteta Doris de Oliveira. Segundo ela, a cobertura vai ocultar provisoriamente o embelezamento dos espaços centrais da praça, entre as avenidas Siqueira Campos e a Sete de Setembro, e depois até Rua dos Andradas. "Os canteiros vão recuar e o passeio será ampliado", conta Doris. A arquiteta revela ainda que o mobiliário será restaurado e que banheiros, engraxates, bancas de artesanato e de revistas serão realocados.
Uma outra modificação, que já pode ser vista, é a recuperação do pavimento de paralelepípedos da avenida Sepúlveda, entre a Praça da Alfândega e a avenida Siqueira Campos, que estava coberto por asfalto. A calçada histórica, construída com pedras portuguesas, foi realinhada, entre os prédios do Margs e do Memorial do Rio Grande do Sul, onde funcionava a antiga sede dos Correios & Telégrafos. O nivelamento dos ladrilhos segue até a Rua dos Andradas, onde vai ser restaurado o desenho de "ondas", semelhante ao do calçadão da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Na continuação do projeto, o Monumenta vai remodelar o trajeto da rua General Câmara, a velha Rua da Ladeira, até a Praça da Matriz, concluindo a ligação entre dois dos principais ambientes históricos da Capital. Essa etapa vai custar cerca de R$ 2,3 milhões. Ambos são investimentos públicos, provenientes do caixa municipal e de empréstimo internacional ao Ministério da Cultura.
Fonte: Correio do Povo - 31/01/2010