Sob os cuidados do professor Luiz Fernando Rodrigues, livros do século 15 só podem ser tocados se as mãos estiverem protegidas por luvas. Uma coleção de obras raras trazidas ao Brasil pelos jesuítas se revela na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo.
Em busca de recursos para restaurar estes livros e colocá-los à disposição de pesquisadores, a universidade apresenta amanhã uma proposta à iniciativa privada: troca cursos, espaços publicitários e o que estiver a seu alcance por verbas para a contratação desses restauradores. Será o lançamento do Memorial Jesuíta Unisinos.
O trabalho de restauração é árduo, exige especialistas e custos elevados. Muitas das obras estão em estado de degradação. A coleção de primeiras edições de autores como Goethe e Voltaire, por exemplo, estão sendo higienizadas e catalogadas. Quando prontas, estarão ao alcance dos estudantes.
– Uma instituição não tem condições de fazer isso sozinha. Não é somente a aplicação de dinheiro, mas de responsabilidade cultural e social. Estamos propondo um ganha-ganha – destaca Luiz Fernando Rodrigues, curador-adjunto do memorial e professor do programa de pós-graduação em História da universidade.
Foi em 2000 que a Unisinos tomou a frente do projeto de criação do Memorial Jesuíta. A proposta é tornar esse espaço referência em todo o sul do Brasil. Desde então, 200 mil itens, entre os quais obras do século 15 ao 20, começaram a ser enviados das bibliotecas das casas jesuíticas de diversas regiões do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná até a universidade.
Material inclui obras de filosofia, medicina e direito
Há muito trabalho pela frente, garante o professor, que se coloca como um guardião do acervo. Ao todo, 2,5 mil obras raras estão seguras atrás de grades. Por segurança, são guardadas a sete-chaves. Ensinamentos de filosofia, teologia, medicina e direito são cuidadosamente separados.
– Mais do que um valor material, o que temos aqui é um patrimônio intelectual que queremos preservar. Não é só história, esse conteúdo pode ter uma aplicação prática para se refletir a sociedade de hoje. O que se aprendeu no passado pode fazer a diferença hoje – observa Rodrigues.
O acervo
A obra mais antiga data de 1496. É um livro revestido de madeira, coberto por pele e encadernado por cordas, que trata do Direito Canônico.
Contato
Telefone: (51) 3590-8808
E-mail: memorialsj@unisinos.com.br
FONTE: Zero Hora / 5 de maio de 2009