Associação pediu revisão de imóveis cadastrados como de interesse histórico e cultural na região.
- Texto e fotos enviados por Silvio Belbute, presidente da Associação Benjamin Constant (ABC) para ZH.
“Os símbolos referenciais de nossa história e cultura têm real importância na medida em que preservam seu sentido e de fato são reconhecidos pela comunidade. Não basta erigirmos totens, como representativos da linha de tempo, se a comunidade nele não se sentir incorporada ou se nele não enxergar de fato sua trajetória.
Também não se pode separar história de cultura, como se entes distintos, dissociados. São ambos dinâmicos, diversos, ao mesmo tempo sujeito e objeto. Cultura e história são produções diárias, coletivas. Cultura e cidadania estão fortemente conectadas. E não se pode pensar em cultura, sem considerar a dialética entre passado e futuro, entre tradição e inovação.
Na busca pelas causas da estagnação da região do Quarto Distrito (formada por bairros como Floresta e São Geraldo), a comunidade foi atrás das respostas. Coube à Associação Benjamin Constant a missão de levantar dados e apresentá-los aos demais, em parceria com empresários e moradores.
Encontramos uma listagem de mais de 1,8 mil imóveis cadastrados como de interesse histórico e cultural. Se, num primeiro momento, poderíamos imaginar a riqueza cultural de nossa região, um olhar mais atento apontou total falta de critérios, na opinião da comunidade, que não reconheceu e não se reconheceu representada histórica ou culturalmente na maioria destes imóveis. A preservação de nossa herança não está apenas na manutenção de uma fachada oca, vazia, muito menos em escombros ou ruínas, que servem apenas de esconderijo para o tráfico ou abrigo de multidões de sem-teto.
Ocupamos a Tribuna Popular da Câmara de Vereadores e pedimos a revisão deste cadastro no âmbito da Comissão do Plano Diretor. Fomos atendidos, com manifestações de apoio por todas as bancadas. Levamos nosso pleito ao Compahc (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural), e lá também tivemos acolhida nossa solicitação, com a decisão daquele conselho pela revisão da listagem. Mas a municipalidade não tem verbas para realizar tal revisão. Nossa luta agora é pela formação de parcerias com as universidades, as faculdades de Arquitetura e Engenharia, os órgãos públicos municipais e a Câmara, para que possamos promover um levantamento real e definitivo.
Acreditamos que podemos nos tornar referência mundial mais uma vez, aliando o novo ao velho, o passado com o futuro, a tradição com a inovação, promovendo o desenvolvimento local e sustentado da região do Quarto Distrito e, porque não dizer, de toda a cidade de Porto Alegre.”
FONTE: Zero Hora / 23 de abril de 2009