Delfos reúne acervos de intelectuais gaúchos.
O divã do consultório de Cyro Martins, o chapéu de Patrícia Bins, cartas de Paulo Hecker Filho, fotos da Revista do Globo, tudo no mesmo lugar. O lugar é o Delfos – Espaço de Documentação e Memória Cultural, a ser inaugurado hoje, no sétimo andar da biblioteca do campus da PUCRS. O atendimento ao público começa na próxima segunda-feira.
O Delfos reúne 28 acervos, alguns guardados na universidade desde a década de 1990. São coleções de livros, documentos e pertences de nomes importantes da cultura gaúcha. Ali estão, por exemplo, anotações do professor Celso Pedro Luft (1921 – 1995), desenhos do arquiteto Theo Wiederspahn (1878 – 1952) e edições raras de Dyonelio Machado (1895 – 1985). Uma das aquisições mais recentes é o material do escritor e psicanalista Cyro Martins (1908 – 1995), incluindo poltrona, divã, quadros e estante de seu consultório.
– É um material precioso, que cobre mais de 50 anos de documentação da vida cultural do Estado – diz o coordenador-geral do Delfos, o professor e escritor Luiz Antonio de Assis Brasil.
Um dos destaques é a biblioteca de Júlio Petersen (1918 – 2003), bibliófilo que foi goleiro de Grêmio e Internacional e organizou uma das principais coleções de obras sobre o Rio Grande do Sul. O que inclui raros exemplares da Ensiqlopédia do dramaturgo Qorpo Santo (1829 – 1883), publicada no final do século 19. Outra curiosidade são os acervos dos historiadores Manoelito de Ornellas (1903 – 1969) e Moysés Vellinho (1901 – 1980), protagonistas de grandes polêmicas sobre a origem do Rio Grande do Sul, separados apenas pela estante do padre e poeta Oscar Bertholdo (1935 – 1991).
Para ocupar as salas de pesquisa do Delfos e consultar o material, é preciso cadastrar-se antes.
– O objetivo é receber não apenas curiosos, mas quem esteja efetivamente pesquisando – diz Assis Brasil.
O que é
O Delfos – Espaço de Documentação e Memória Cultural abriga 28 acervos. Boa parte deles é de material que pertenceu a intelectuais gaúchos: manuscritos, correspondência, documentos, objetos e móveis, por exemplo. Parte do material ainda está em fase de catalogação.
O nome Delfos lembra o célebre oráculo da Antigüidade, situado na Grécia, no qual os mortais podiam entrar em contato com Zeus, o deus supremo. No templo, havia os thesaurus, pequenas capelas que guardavam doações feitas pelos visitantes.
Como consultar
Os pesquisadores devem fazer um cadastro prévio. O espaço funciona das 14h às 17h, de segunda a sexta-feira. Informações: (51) 3320-3500, ramal 8386, e site www.pucrs.br/delfos.
FONTE: Zero Hora / 4 de dezembro de 2008