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25/09/2008 - Clipping Cultural

Tesouro bageense


Exposição na Capital apresenta pinturas que Glênio Bianchetti criou para capela de 1908 recém-restaurada.

Bagé reencontra no interior do município, a cerca de cinco quilômetros do perímetro urbano, uma pequena relíquia de grande importância histórica e cultural. Por iniciativa de moradores da cidade, sobretudo um grupo de devotas de Santa Tereza, está sendo restaurado o chamado Centro Histórico da Vila Santa Thereza, um grupamento de casas e pequenos prédios erguidos na primeira década do século 20 e já há muito devastado pela ação do tempo.

Já estão recuperados, com inauguração prevista para 25 de outubro, a capela, o teatro e a Praça Cívica da vila. Por hora, os curiosos podem conferir apenas as pinturas que vão adornar as paredes do pequeno santuário de 1908, ponto central do Centro Histórico. Será inaugurada hoje, na Galeria Casa Arte Canoas, em Porto Alegre, exposição que reúne as 14 telas que representam a Via-Crúcis e o tríptico alusivo à figura de Santa Tereza. As obras foram especialmente concebidas para a capela por Glênio Bianchetti, gaúcho de Bagé radicado em Brasília, nome referencial das artes visuais no Rio Grande do Sul, ligado aos clubes de gravura da década de 50.

O artista de 80 anos trabalhou por seis meses na criação desse conjunto:

– Na Via Sacra, a gente não tem saída: precisa contar uma histórias mil vezes já contada. Optei por me prender mais na solidão do Cristo na hora da morte. Ele aparece como uma criatura humana, igual a nós, caminhando para o fim.

Em uma das telas, Cristo tem por companhia apenas um cusco. Bianchetti usou tinta acrílica sobre tela colada em madeira. A mostra segue em cartaz até 3 de outubro, sempre com entrada franca (confira horários e endereço no Guia hagah encartado nesta edição). De lá, o conjunto, já exibido no Espaço Caixa Cultural, em Brasília, vai para Bagé.

O Centro Histórico da Vila Santa Thereza se estende por cerca de um hectare. Foi erguido a mando de Antônio Nunes Ribeiro Magalhães, imigrante português que desembarcou garoto muito pobre em Rio Grande na segunda metade do século 19 e se tornou visconde, dono de duas charqueadas. Teria sido o segundo maior proprietário de terras do Estado.

– O que impressiona é a visão que ele teve: implantar vida urbana em plena campanha, com bonde e um teatro que chegou a funcionar como cinema – comenta o arquiteto responsável pelas obras de recuperação do conjunto, Flávio Kiefer (o mesmo dos projetos da Casa de Cultura Mario Quintana e do Centro CEEE Erico Verissimo).

A revitalização foi bancada, via LIC, pela Copesul Braskem, Lojas Obino e Supermercado Peruzzo.


FONTE: Zero Hora / 25 de setembro de 2008



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