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20/02/2008 - Clipping Cultural

RIO PARDO INVENCÍVEL


Quem anda pelas ruas da tranqüila e acolhedora cidade de Rio Pardo com seus 39 mil habitantes e prédios antigos, pode nem desconfiar. Mas essa é a chamada Tranqueira Invicta, o local onde os portugueses resisitiram aos avanços espanhóis e que determinou que, atualmente, estejamos em um país de língua portuguesa.
Rio Pardo passou a ser fronteira entre a área de colonização portuguesa e a espanhola com o Tratado de Madri, de 1750. Para garantir a área fronteiriça, os portugueses trataram de erguer, ali, o Forte Jesus Maria José, cuja construção começou em 1752, recorda Aída Aparecida dos Santos Ferreira, coordenadora do Museu Histórico Barão de Santo Angelo.
Mas, antes mesmo do forte, chegou à região aquel a que foi a primeira guarda militar do Rio Grande, a dos Dragões de Rio Parso - que garantiram a segurança contra os índios durante a construção do forte a sseguraram a presença portuguesa posteriormente, durante os vários enfrentamentos com os espanhóis.
Os Dragões permaneceram durante 80 anos em Rio Pardo e moldaram a face dos primeiros anos da cidade. Trouxeram famílias, o comércio foi se firmando, e Rio Pardo nasceu assim, à sombra da fortaleza - que, na verdade, era uma paliçada, explica Aída. É por isso que não existem remanescentes do forte, que foi construído de madeira, pois era provisório. Já em 1754, começaram a chegar os açorianos.
Não obstante a origem militar, Rio Pardo logo se tornou um centro comercial importante. Quando em 1809 foram criadas as quatros primeirasvilas de Rio Grande do Sul, Rio Pardo estava entre elas, junto com Rio Grande, POrto Alegre e Santo Antônio da Patrulha. O seu território era gigantesco: ocupava 55% da atual área do Rio Grande do Sul.
Com uma economia baseada na pecuária e o comércio forte, a cidade investia no "conforto". Tanto que, em 1813, teve a primeira rua calçada do Rio Grande do Sul, a rua Júlio de Castilhos, construída no mesmo estilo da Via Apia, com escoamento de água por um canal central. A rua (foto superior), que é tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional, foi construída pelos escravos.
A riqueza dessa fase pode ser vista, ainda hoje, nas construções históricas que, recuperadas, documentasm o passado. O atual Centro Cultural funciona no prédio da antiga Escola Militar - a primeira escola militar da Província, onde estudou Getúlio Vargas. O prédio data de 1848 e foi construído para ser um hospital de caridade. O próprio museu ocupa uma casa de 1790. Seu acervo conta a história e de seus principais moradores - como o Barão de Santo Ângelo, Manoel Araújo Porto Alegre, que foi um dos fundadores do Romantismo brasileiro e o primeiro caricaturista do país. Vale visitar o museu não só pelo acervo, mas pela própria estrutura, como "quarto da donzela", uma peça que ficava no meio da casa, sem janelas para a rua, onde as moças podiam namorar; e a senzala, moradia dos escravos.
As igrejas da cidade também valem a visita: há a Igreja de São Francisco (direita), de 1802, onde fica o Museu de Arte Sacra; a do Rosário, em estilo barroco, com sete altares, de 1801; e a Capela de São Francisco, de 1815. Para quem gosta de praia, vale visitar as praias de água doce: dos ingazeiros, do Porto Ferreira e Santa Vitória - todas próximas da cidade e balneáveis. E, agora no final de fevereiro - do dia 29 até 9 de março - um outro atrativo convida à visitação: é a Festa do Peixe, onde a grande atração é a gastronomia. Para preparar a visita, vale conhecer o site da prefeitura, em www.riopardo.rs.gov.br.

FONTE: Informe Comercial " Momento Gaúcho", encartado no jornal Zero Hora - 19/02/2008.



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