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Legislação

LEI 10.845, DE 05 DE MARÇO DE 2004

Insitui o Programa de complementação ao Atendimento Educacional Especializado aos Portadores de Deficiência


LEI No 10.845, DE 5 DE MARÇO DE 2004.

Institui o Programa de Complementação ao Atendimento Educacional Especializado
às Pessoas Portadoras de Deficiência, e dá outras providências.


O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e
eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o Fica instituído, no âmbito do Fundo Nacional de Desenvolvimento
da Educação - FNDE, Programa de Complementação ao Atendimento Educacional
Especializado às Pessoas Portadoras de Deficiência - PAED, em cumprimento do
disposto no inciso III do art. 208 da Constituição, com os seguintes objetivos:

I - garantir a universalização do atendimento especializado de
educandos portadores de deficiência cuja situação não permita a integração em
classes comuns de ensino regular;

II - garantir, progressivamente, a inserção dos educandos portadores de
deficiência nas classes comuns de ensino regular.

Art. 2o Para os fins do disposto no art. 1o desta Lei, a União
repassará, diretamente à unidade executora constituída na forma de entidade
privada sem fins lucrativos que preste serviços gratuitos na modalidade de
educação especial, assistência financeira proporcional ao número de educandos
portadores de deficiência, conforme apurado no censo escolar realizado pelo
Ministério da Educação no exercício anterior, observado o disposto nesta Lei.

§ 1o O Conselho Deliberativo do FNDE expedirá as normas relativas aos
critérios de alocação dos recursos, valores per capita, unidades executoras e
caracterização de entidades, bem como as orientações e instruções necessárias à
execução do PAED.

§ 2o A transferência de recursos financeiros, objetivando a execução do
PAED, será efetivada automaticamente pelo FNDE, sem necessidade de convênio,
ajuste, acordo ou contrato, mediante depósito em conta-corrente específica.

§ 3o A transferência de recursos financeiros às entidades é
condicionada à aprovação prévia pelos Conselhos Municipais de Acompanhamento e
Controle Social do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental
e de Valorização do Magistério - FUNDEF, de programa de aplicação que atenda
aos objetivos estabelecidos no art. 1o desta Lei.

§ 4o Os recursos recebidos à conta do PAED deverão ser aplicados pela
entidade executora em despesas consideradas como de manutenção e
desenvolvimento do ensino, de acordo com os arts. 70 e 71 da Lei no 9.394, de
20 de dezembro de 1996.

Art. 3o Para os fins do disposto no art. 1o desta Lei e no art. 60 da
Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, é facultado aos Estados, ao Distrito
Federal e aos Municípios prestar apoio técnico e financeiro às entidades
privadas sem fins lucrativos que oferecem educação especial, na forma de:

I - cessão de professores e profissionais especializados da rede
pública de ensino, bem como de material didático e pedagógico apropriado;

II - repasse de recursos para construções, reformas, ampliações e
aquisição de equipamentos;

III - oferta de transporte escolar aos educandos portadores de
deficiência matriculados nessas entidades.

Parágrafo único. Os profissionais do magistério cedidos nos termos do
caput deste artigo, no desempenho de suas atividades, serão considerados como
em efetivo exercício no ensino fundamental público, para os fins do disposto no
art. 7o da Lei no 9.424, de 24 de dezembro de 1996, que instituiu o Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do
Magistério - FUNDEF.

Art. 4o O PAED será custeado por:

I - recursos consignados ao FNDE, observados os limites de movimentação
e empenho e de pagamento da programação orçamentária e financeira;

II - doações realizadas por entidades nacionais ou internacionais,
públicas ou privadas;

III - outras fontes de recursos que lhe forem especificamente
destinadas.

Parágrafo único. Os recursos de que trata o inciso I deste artigo não
excederão, por educando portador de deficiência, ao valor de que trata o § 1o
do art. 6o da Lei no 9.424, de 24 de dezembro de 1996.

Art. 5o No exercício de 2003, os valores per capita de que trata o § 1o
do art. 2o serão fixados em 2/12 (dois duodécimos) do calculado para o ano.

Art. 6o A prestação de contas dos recursos recebidos à conta do PAED,
constituída dos documentos definidos pelo Conselho Deliberativo do FNDE, será
apresentada pela entidade executora ao Conselho que houver aprovado o
respectivo programa de aplicação, até 28 de fevereiro do ano subseqüente ao de
recebimento dos recursos.

§ 1o O Conselho que houver aprovado o programa de aplicação consolidará
as prestações de contas, emitindo parecer conclusivo sobre cada uma, e
encaminhará relatório circunstanciado ao FNDE até 30 de abril do ano
subseqüente ao de recebimento dos recursos.

§ 2o Fica o FNDE autorizado a suspender o repasse dos recursos do PAED
à unidade executora que:

I - descumprir o disposto no caput deste artigo;

II - tiver sua prestação de contas rejeitada; ou

III - utilizar os recursos em desacordo com os critérios estabelecidos
para a execução do PAED, conforme constatado por análise documental ou
auditoria.

Art. 7o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 5 de março de 2004; 183o da Independência e 116o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Tarso Genro
Guido Mantega
José Dirceu de Oliveira e Silva




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