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Dos anestesiados e acomodados

Com humildade, obrigo-me a saudar denúncias que envolvem o sistema prisional gaúcho.

Há alguns meses o sistema prisional do Estado está para sofrer alterações positivas, embora não definitivas, envolvendo reformas de prisões, ampliações e construção de novas casas para depositar apenados. Sobre isso, sobradas notícias oficiais têm sido propagadas, inclusive com a participação do Ministério da Justiça. Agora, no entorno do tema, leio que surgiu a figura do promotor de justiça Gilmar Bortolotto, membro, portanto, do uno e indivisível Ministério Público, retratado corno uni homem que não se acomodou, como a maioria de seus colegas. No jornal Zero Hora, li que Bortolotto "em vez de se limitar a denunciar criminosos, revela a criminosa omissão do Estado no trato com os detentos". A mesma notícia também destaca o perfil do juiz Sidinei Brzuska, apontado como uni magistrado novato ainda não "anestesiado" pelos horrores do sistema prisional. É notável que pelos corredores do Presídio Central se revele a existência de magistrados anestesiados e de promotores acomodados, além, é claro, dos crimes do Estado contra os apenados. Com tais denúncias, mais do que as obras programadas para não sei quando, é possível que se encaminhe a solução para o sistema prisional gaúcho.

Assassinatos

Rodrigo Camargo, jovem de 23 anos, foi executado com pelo menos dez tiros, na manhã de ontem, na Zona Sul de Porto Alegre.

Policiais localizaram o corpo na rua Jacuí, no bairro Cristal. A vítima tinha antecedentes por tráfico de drogas e tentativa de homicídio. Na Zona Norte da capital, próximo ao Porto Seco, Paulo Sérgio Fagundes, 27, foi executado com cinco tiros. Em Viamão, João Batista Pereira Barcelos, 36, morreu com três tiros, crime ocorrido no bairro Branquinha. Durante o último fim de semana, no Estado ocorreram 17 assassinatos.

Sepultamento

Centenas de pessoas acompanharam, ontem, o sepultamento do corpo do sargento da Brigada Militar Adriano dos Santos, 43 anos, no Cemitério Jardim da Paz, na capital. O PM foi morto domingo em assalto a mercado no bairro Santo Onofre, em Viamão. Segundo o co
mandante da Brigada Militar de Viamão, tenente-coronel Leandro Fonseca, três dos cinco assaltantes ainda são procurados. Dois foram presos na tarde passada.

Apenados

Dois convênios no valor de RS 218,04 mil, destinados à realização de cursos de qualificação profissional para detentos gaúchos, serão assinados hoje, às 14h, entre a Secretaria da Justiça e do Desenvolvimento Social, por meio da Fundação Gaúcha do Trabalho c Ação Social, a Susepe e as entidades Solução Cooperativa dos Prestadores de Serviços Terceirizados Públicos c Privados e Cooperativa dos Trabalhadores do Mar de Dentro. A assinatura acontecerá no gabinete do secretário da Justiça, Fernando Schüler.

Passeata (1)

A passeata dos agentes da Polícia Civil, liderada pela Ugeirm-Sindicato, realizada na tarde de ontem, que culminou com discursos na frente do Palácio Piratini, não teve o apoio dos delegados. Segundo o presidente da Asdep (Associação dos Delegados de Polícia do RS), Wilson Müller Rodrigues, as entidades dos agentes da Polícia Civil nunca trataram com os delegados nenhuma passeata. Assim, não restou para a Asdep, segundo Müller, nenhum motivo para apoiar o movimento.

Passeata (2)

A apoteose da passeata do agentes da Polícia Civil, ocorrida na frente do Palácio Piratini, teve, entre outros pontos, homenagens ao delegado Protógenes Queiroz, da Polícia, Federal, e a participação da CUT, além de apoio ao movimento grevista dos policiais de São Paulo. Dei uma passada por lá e notei que os próprios policiais civis fizeram a corrente de segurança para manter uma distância dos manifestantes que não perturbasse as portas da sede do governo gaúcho. É claro que também houve uma revoada de helicópteros, mas, aqui da minha torre, não ouvi ruídos de enfrentamentos físicos. Tudo em paz, mas que a passeata foi uma espécie de salada mista, foi.




Fonte: O Sul


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