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Geral
Página 10
ROSANE DE OLIVEIRA
Fragmentos de investigação
Sete dias depois de ter se tornado público o pedido do Ministério Público Federal ao Supremo Tribunal Federal para investigar os deputados Eliseu Padilha (PMDB) e José Otávio Germano (PP), persiste o mistério em relação ao conteúdo do inquérito, que tramita em segredo de justiça. Sabe-se que tudo começou com a investigação do superfaturamento da merenda escolar em Canoas e Sapucaia do Sul, mas derivou para a identificação de irregularidades em obras de saneamento.
A investigação envolvendo possíveis irregularidades em contratos firmados pelas prefeituras de Canoas e de Sapucaia do Sul está sendo conduzida pela Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários da Polícia Federal.
No pedido de autorização encaminhado ao Supremo constam, além dos dois deputados federais, o deputado estadual Alceu Moreira, o secretário de Habitação, Marco Alba, o secretário de Governo de Canoas, Francisco Fraga, o prefeito de Sapucaia, Marcelo Machado, o chefe de gabinete dele, Renan Presser, e o diretor-presidente da MAC Engenharia, Marco Antonio Camino.
Somente ontem o advogado José Antonio Paganella Boschi, defensor de José Otávio, teve acesso ao inquérito. Como nas mais de 3 mil páginas há dados de quebras de sigilo de terceiros, a Polícia Federal havia solicitado instruções ao ministro Marco Aurélio Mello sobre o que podia ser liberado para os advogados. O ministro determinou que liberasse a íntegra da investigação.
Boschi passou boa parte da tarde na sede da Superintendência da PF em Porto Alegre. Constatou, segundo nota divulgada ontem, que seu cliente “não aparece como investigado ou indiciado, por infração de qualquer natureza”. A nota diz que o nome de José Otávio “é referido apenas indiretamente e sobre a atividade como parlamentar federal”.
BIOGRAFIAS SEMELHANTES
Empolgado com o desempenho da candidata à prefeitura de Porto Alegre Manuela D’Ávila (PC do B) nas pesquisas em Porto Alegre, o deputado federal e ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE) caminhou pela Rua da Praia com a comunista ontem.
Além de estarem aliados nas eleições, Ciro e Manuela são campeões de votos em seus Estados nas eleições de 2006. O cearense compara sua biografia com a da gaúcha, já que ele foi prefeito de Fortaleza com 29 anos e o mais jovem governador no país. A candidata comunista tem 27 anos.
No Ceará, estudos indicam que Ciro transfere mais votos do que o próprio presidente Lula. No Rio Grande do Sul, quando concorreu à Presidência em 2002, fez menos de 600 mil votos e ficou em quarto lugar.
Adeus ao radicalismo
Em quarto lugar nas pesquisas divulgadas até agora, a deputada federal Luciana Genro (PSOL) se rendeu ao capitalismo: aceitou uma contribuição de campanha do Grupo Gerdau, no valor de R$ 100 mil, pagos em duas vezes. A Gerdau está oferecendo o mesmo valor aos principais candidatos. Até agora, Luciana recebeu R$ 50 mil.
A doação gerou indignação em um dos companheiros de sigla, o ex-deputado federal Babá, para quem a contribuição fere os estatutos do PSOL.
Luciana alega que o estatuto proíbe contribuições de empreiteiras, bancos e de multinacionais. A deputada entende que, embora a Gerdau atue em diferentes países, é uma empresa brasileira. A ex-senadora Heloísa Helena, segundo ela, tem o mesmo entendimento.
Só depois da eleição
As atenções da Assembléia Legislativa estão mesmo voltadas para as eleições municipais. Os deputados estaduais chegaram a um entendimento de que concentrarão votações no período eleitoral nas terças-feiras.
As sessões de quartas e quintas-feiras terão apenas homenagens e discursos, salvo alguma emergência.
Quem resiste a um “churrasquinho de gato” depois de uma caminhada de campanha? A deputada Luciana Genro e o candidato a vereador Pedro Ruas, do PSOL, renderam-se ao cheiro do churrasquinho em frente ao Hospital Conceição e fizeram uma parada estratégica antes de continuar o corpo-a-corpo em busca de votos.
Bons ventos
Quem conhece o economista Sérgio Camps de Moraes, que tomará posse hoje na presidência da CEEE, tem convicção de que haverá mudança de postura na condução da companhia.
Moraes deverá iniciar dando mais transparência às ações da empresa, a começar pelo encaminhamento do imbróglio jurídico no qual a CEEE terá de pagar milhões em adicional de periculosidade ao Sindicato dos Engenheiros.
O presidente interino, José Francisco Pereira Braga, se recusa a falar sobre o caso que tramita desde 1994 na Justiça.
Investigadores que trabalharam na Operação Rodin já sabem quem são os personagens que aparecem em escutas telefônicas com os codinomes Campeão, Barão, Barbicha, Doutor Noel e Barba Vermelha. Campeão, por exemplo, é um empreiteiro.
Mirante
- Para tentar estancar o crescimento da candidatura de Manuela D’Ávila (PC do B), o PT deve partir para o ataque nos programas de rádio e TV. A idéia é focar na inexperiência da candidata e na aliança com o PPS.
- Funcionários de carreira do Ministério Público e do Tribunal de Justiça estão de olho nos parentes de autoridades de outros poderes em cargos de confiança. Empregar irmão ou filho de deputado em outro poder é nepotismo cruzado.
- Para compensar a emissão de gás carbônico decorrente de sua campanha, o candidato a vereador Amon Costa (PT), de Gravataí, plantou 50 mudas de árvores nativas no bairro Santa Tecla.
- Dono de uma relojoaria na Avenida Assis Brasil, na Capital, o comerciante Leo Jorge Barbosa está indignado com a falta de educação dos candidatos que não aceitam sua recusa em receber panfletos de campanha. Ontem, foi xingado por dizer a um candidato “não, obrigado”.
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Pelo menos dois deputados que tiveram aumento significativo de patrimônio nos últimos anos terão de provar que a compra de imóveis não é fruto de enriquecimento ilícito.
Aliás
Investigadores que trabalharam na Operação Rodin já sabem quem são os personagens que aparecem em escutas telefônicas com os codinomes Campeão, Barão, Barbicha, Doutor Noel e Barba Vermelha. Campeão, por exemplo, é um empreiteiro.
Com Vivian Eichler
Fonte: Zero Hora
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