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24/07/2012 - Execuções Criminais

Colônia Penal de Venâncio Aires segue interditada e com problemas

Por Jorn. Marjuliê Martini
Fotos/MP
Inspeção é trabalho de rotina do MP

Em inspeção realizada nesta sexta-feira, 20, a promotora de Justiça de Controle e Execução Criminal Sandra Goldman constatou que persistem as irregularidades que fizeram com que o MP solicitasse e tivesse deferido o pedido de interdição total da Colônia Penal Agrícola de Venâncio Aires, localizada no distrito de Mariante. A interdição foi decidida pelo juiz da Vara de Execuções Criminais da Região Metropolitana, Sidnei Brzuska, em 8 de junho deste ano, e prevê que não ingressem novos detentos até a melhoria das condições.

Atualmente, o local abriga 248 presos do regime semiaberto. A Promotora constatou que, nos banheiros, os vasos sanitários estão entupidos, não há chuveiros e existem vazamentos. Há lixo depositado ao redor do prédio, que está degradado, com janelas sem vidros e grades apodrecidas. O esgoto cloacal é depositado em um açude. Aos fundos, na área externa, falta segurança e ainda persiste a pouca iluminação, que facilita fugas.

Além disso, nos alojamentos 1 e 2, onde ficam os presos que estão sob ameaça, as celas são insalubres e úmidas, com chuveiros queimados. Os detentos que ficam lá acabam sem acesso a pátio e sol por meses, conforme o relatório da inspeção.

Também foi constatada falta de assistência jurídica e atendimento de saúde. Entre as medidas a serem adotadas pela direção da casa prisional, serão solicitadas providências para os alojamentos 1 e 2, bem como reformas nos banheiros dos alojamentos 3, 4 e 5. A Promotora irá enviar, ainda, um ofício à Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) para a regularização da assistência jurídica e de saúde, bem como para que sejam sanados os graves problemas de fornecimento de água e destino do esgoto.

As inspeções nos presídios e albergues do Rio Grande do Sul são um trabalho de rotina do Ministério Publico. E, conforme a promotora Sandra Goldman, têm uma importante função de dar transparência ao que ocorre dentro das casas prisionais. “Mesmo que muitas vezes lastimemos informar a situação das penitenciárias, a comunidade nos informa que está satisfeita em conhecer a realidade prisional gaúcha”, analisa. Sandra Goldman acredita que o trabalho conjunto do Judiciário, envolvendo o MP, Tribunal de Justiça, OAB, Defensoria Pública e outras instituições possa, em longo prazo, melhorar a situação carcerária do Rio Grande do Sul.

Janelas não possuem vidros e grades estão apodrecidas
Chuveiros estão quebrados em todos os alojamentos
Colônia Penal Agrícola está interditada pela Justiça desde junho
Paredes tem marcas de pontos de fuga
Esgoto corre a céu aberto até açude sem licença ambiental
Lixo fica depositado pelo lado de fora do prédio
Colônia Penal Agrícola foi concebida para que presos do semiaberto trabalhassem


Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul
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