Evento vai abordar o consumo consciente e as consequências do consumismo exagerado, tendo como público alvo jovens da rede estadual de ensino
CONSUMIDOR CONSCIENTE
O Centro de Apoio Operacional de Defesa do Consumidor promove, em 15 de março do corrente ano, o Seminário “Consumidor Consciente” no Auditório do Palácio do Ministério Público Estadual, evento comemorativo ao Dia Internacional do Consumidor, propiciando o debate interdisciplinar acerca dos direitos do pequeno consumidor e a influência da publicidade sobre os jovens na sociedade atual.
O encontro reunirá educadores, psicólogos, juristas, publicitários e jovens da Escola de Educação Básica Apeles Porto Alegre, propiciando uma reflexão sobre a consolidação da proteção do consumidor no Brasil, com enfoque na influência da publicidade sobre os pequenos consumidores da sociedade atual.
No mesmo dia, após a manifestação dos palestrantes, ocorrerá a premiação das três melhores redações elaboradas pelos alunos da 4ª Série da Escola, abordando o tema consumo consciente.
O objetivo é ampliar o debate e propiciar uma maior aproximação entre o Ministério Público e os estudantes. As crianças brasileiras influenciam 80% das decisões de compra de uma família, segundo pesquisa feita pelo TNS/InterScience (instituto britânico de pesquisa vice-líder no ranking mundial de empresas de pesquisa de mercado). As mensagens publicitárias ingressam na vida dos jovens pelas mais variadas formas, ativando as estruturas psíquicas em virtude da permanente exposição a ações e campanhas que estimulam o consumo de forma inconsequente.
Vivemos numa sociedade, numa cultura, de bens e valores descartáveis, onde o consumo nem sempre é motivado por necessidades reais, mas pelo simples prazer efêmero, perspectiva de aceitação pelo grupo social, ou mesmo pela busca não definida da felicidade, identificada por meio dos produtos consumidos: roupa de marca conhecida, perfume, tipo de carro, tênis, etc. As consequências do consumismo estão relacionadas à obesidade infantil, erotização precoce, violência urbana decorrente da busca por produtos dispendiosos e a diminuição de brincadeiras criativas, que são fundamentais para o desenvolvimento das crianças.
Diante dos comerciais direcionados aos jovens, brilhantemente planejados e bem financiados, não podemos esperar que os pais sejam seus guardiões exclusivos. Nessa perspectiva, necessário o debate e a adoção de medidas preventivas e efetivas, começando pela conscientização e preparação dos cuidadores infanto-juvenis, por meio da promoção de palestras, destacando-se o papel importante desempenhado por juristas e educadores, no sentido de unir esforços para coibir as mais variadas e insidiosas formas de mensagens publicitárias elaboradas para aproveitar da vulnerabilidade dos pequenos consumidores, seres cujo desenvolvimento físico e psicológico tornam-se ameaçados quando, na satisfação dos prazeres e necessidades, são persuadidos pelo “bombardeio” publicitário, comprometendo a construção da identidade e dos limites morais.
Todas essas questões serão objeto de ampla discussão no encontro, o qual, certamente, agregará fundamentais elementos na formação dos jovens consumidores, estimulando-os a questionar a sociedade de consumo, a compreender o objetivo persuasivo da publicidade e os modelos de identificação positivos e negativos que acabam emergindo desse conjunto de influência. É importante lutar pelos direitos do consumidor, mas dizer não ao consumismo.
(A imagem do banner ilustrativo é proveniente do site do Instituto Alana)